A cruz nos fere porque nos lembra o quanto estamos distantes
do crucificado e o quanto ainda temos que nos converter para nos aproximarmos
mais do Salvador.
A ferida que ela nos faz olhar é a ferida dos nossos
pecados, que muitas vezes estão abertas e que por medo do sofrimento não a
enfrentamos, não procuramos a sua cura. Mas o bonito do crucifixo é saber que a
mesma imagem que nos condena, pois nos lembra quem nós escolhemos diante de
Pilatos nos acolhe de braços abertos. A cruz nos lembra do pecado, mas Cristo
recorda o seu amor pelo pecador.
A Cruz de Cristo, vai dizer o Cardeal Newman é como um
coração: "o coração costuma ser considerado a sede da vida: é o principio
do movimento, do calor e da atividade; dele parte o sangue até as extremidades
do corpo e a ele retorna.Da mesma forma a Cruz é o principio vital do qual vive
o cristão, e sem ele não existe cristianismo". A doutrina da cruz de
Cristo, em linguagem figurada, é o coração da nossa religião.
Por isso, todas as coisas caminham para a cruz, todas as
coisas lhe são subordinadas, todas as coisas necessitam dela. Pois Ele foi
levantado sobre ela para que pudesse atrair a si todos os homens e todas as
coisas. "Quando for levantado da terra, atrairei todos os
Homens a
mim" (Lc. 12,32).
Na cruz de Cristo, houve um batismo, porque no lenho do
amor, no púlpito onde Jesus pronunciou suas ultimas palavras, fomos purificados
por seu sangue para encontrarmos a morada do céu.
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